Benjamin P. Thomas: “Abraham Lincoln”. Aster. Lisboa. 1952. 540 pgs.

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Benjamin P Thomas - Abraham LincolnDespretensiosa biografia de Lincoln que sem adentrar-se excessivamente nos aspectos psicológicos –e Lincoln oferecia um temperamento que é um prato cheio para esses estudos- e fornecendo grande quantidade de dados, especialmente da guerra civil americana (1860-1865) oferece um perfil razoável do presidente americano. Preservar a União, manter os Estados Unidos como um país único, e garantir a liberdade constitucional para qualquer cidadão –incluído os negros- são aspectos bem destacados nesta obra. Lincoln é de fato o artífice real da abolição da escravatura nos EEUU. Um homem que desde a sua eleição (novembro 1860) até a sua morte (abril 1865, recém re-eleito) esteve envolvido no conflito da secessão que soube conduzir com liderança, mão firme, sem revanchismo, e com bondade e afeto. Um verdadeiro símbolo, com toda a razão, para o povo americano e para a história.

"Bella: O poder de fogo da família"

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Bella (2006). Diretor: Alejando Gómez Monteverde.Atores: Eduardo Verástegui. Tammy Blanchard, Manny Perez. 91 min

bella_2Quando me pedem a opinião sobre um filme que ainda não assisti, já sei que mais cedo ou mais tarde acabarei assistindo. É questão de tempo e oportunidade. Não consigo resistir; aliás, para ser franco, nem tento fazê-lo. Afinal, quem ergue a bandeira de que o cinema educa deve manter-se atento às novidades. Assim ocorreu com “Bella”. Houve perguntas e também comentários que incluíam o ator, Eduardo Verástegui, um cantor e ator mexicano que sofreu um processo de conversão espiritual e milita entre os “Pro Life”. Parece que há uma entrevista com ele, divulgada pela EWTN, a emissora da Madre Angélica, essa surpreendente freira de clausura do Alabama, que no dizer de alguns teria créditos para ser a santa padroeira dos CEOs . De fato, tive oportunidade de ler uma biografia de Mother Angélica, quando acabei me tornando seu fã incondicional – dessa mulher que alia capacidade de gestão e empreendedorismo incomuns, sob o amálgama de gigantesca personalidade espiritual. A santidade, o senso comum e a voz de comando lhe saem pelos poros. Read More

“Apenas uma vez”: a música que nos cura

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(Once) Director: John Carney Atores: Glen Hansard, Marketa Irglova, 85 min. Fui criado num lar onde se amava o cinema. Não o aspecto acadêmico do cinema – o amor dos cinéfilos –, mas as possibilidades que o cinema nos oferece para conhecermos melhor a vida, o mundo, as pessoas. Entendíamo-nos através de filmes, éramos corrigidos com frases de filmes, estimulados com situações e valores que os filmes – a que assistíamos juntos, muitas vezes de pijama – nos brindavam. Na minha família, o cinema era uma linguagem habitual. Hoje, quarenta anos depois, estamos todos envolvidos, de alguma forma, com temas de educação – talvez por culpa do cinema –, de tal modo que evocamos e utilizamos o cinema para formar os outros, tal qual nós fomos formados. Agora estamos entrando na quarta geração, e o cinema continua sendo um amor da família. No mês passado, tive oportunidade de estar com os meus irmãos que vivem na Europa, e vários deles me falaram de “Once” como “um filme necessário”. Consta-me que um deles organizou uma sessão familiar para assistir ao filme com meus sobrinhos, porque ao cinema – entendido como nós o entendemos – deve-se assistir em família. Voltei ao Brasil com a pulga atrás da orelha, como se diz, mas também com muito trabalho pendente, de modo que a curiosidade acabou se aquietando um pouco, antes que surgisse a ocasião de ver o filme. Mas a ocasião, finalmente, surgiu, na semana passada, quando entrei na locadora de um amigo. Aproximei-me da prateleira para ver as novidades, até que pude ler o título “Apenas uma vez”. Como estivesse sem óculos, afastei um pouco a capa do DVD para conseguir ler o titulo original. Lá estava: “Once”. Peguei-o e saí, sem prestar muita atenção no que o balconista me dizia sobre o filme. Provavelmente, algumas frases-chavão que a gente sempre interpreta com o pensamento daquele cantor de tangos: “Isso o dirás a todos…” De cara, vê-se que o filme não é bem um filme. Quer dizer, não é algo cinematográfico. Logo no início já cheira a documentário: câmara solta, sem cortes, sem primeiros planos… “O que será isto?” – perguntei-me, enquanto na tela um figurante – não parecia ser ator; pelo menos representava muito bem não sê-lo – tocava violão na rua, e agradecia as moedas que os passantes depositavam na capa do instrumento. “Não será que esse filme não passa de um videoclipe, de um mero cenário-pretexto para ‘rolar’ rocks e outras canções que a molecada gosta?” – pensei comigo, sentindo que talvez estivesse ficando velho… Acomodei-me na poltrona, sem grandes expectativas, e confesso que duvidei da recomendação familiar. Minha sintonia é outra… Read More

Batman – O Cavaleiro das Trevas: um líder sem férias

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batman_cavaleiro(Batman – The Dark Knight) Diretor: Christopher Nolan. Atores: Christian Bale, Morgan Freeman, Michael Caine, Aron Eckart, Heath Ledger, Maggie Gyllenhal. 152 minutos.Duas semanas em cartaz e mais de dois milhões de expectadores. Houve quem conseguisse comprar os últimos ingressos – aqueles que dão “direito” à primeira fileira e ficar com o nariz colado à tela – mas preferiu sentar-se lá em cima, no chão do corredor, para não perder o visual da estréia. Muitos jovens, alguns nem tanto, como aquele senhor que comentava entusiasmado na saída: “Você viu isso? Fantástico! Até que o ingresso a dezessete reais é ridículo. Bem que o Brasil precisava de uns quatro ou cinco batmans, principalmente em Brasília. Quem sabe dariam um jeito nessa corrupção que nos envergonha”. Fui reunindo os comentários que me chegavam nos dias que se seguiram ao lançamento do filme. Em todos os lugares, no ambiente profissional, nos hospitais onde trabalho – médicos, pacientes, funcionários – todos tinham Batman na ponta da língua. Lembrei-me de George Lucas, quando lá nos idos de 1976 contemplava a reação do público que tinha acabado de assistir a estréia de “Guerra nas Estrelas”. Parece que estava num bar, sentado, à frente do cinema. Vendo a multidão que saia vibrando, confirmou o que já desconfiava: as pessoas gostam de ver o bem e o mal convenientemente delimitados. “É como um faroeste, só que nas galáxias” – declarou à imprensa, na época. “A verdade é que todos nós gostamos que o mocinho ganhe. As pessoas, no fundo, querem enxergar claramente o que é bom e o que é mau. Daí, talvez, o sucesso do filme”. Quem sabe se as multidões que se entusiasmam com Batman não pensam o mesmo, muito embora não tenham consciência disso. A velha briga entre o bem e o mal: nem sempre com fronteiras tão claras como na epopéia galática de Lucas, mas embaralhadas, como na vida real. Ou será que tudo não passa de uma simples estréia, de mera novidade?Não é do meu estilo entrar no vácuo dos booms de lançamentos. As coisas novas são apenas isso, novidades. Somente o tempo dirá se a novidade é boa, medíocre, ou ruim. O tempo – esse juiz implacável – encarrega-se de desgastar a novidade vazia, deslocando-a da gôndola intitulada “lançamento”, para encostá-la em outras, classificadas como “catálogo”, “acervo”, ou – o que é mais freqüente – nas gôndolas do “saldão”, vendidas a preço de banana. Talvez por isso eu tenha o costume de entrar nas locadoras com uma lista bem definida de filmes sobre os quais me informei previamente, selecionados à luz das críticas da imprensa, de revistas especializadas, mas também escolhidos muitas vezes na contramão das criticas. Porque nem sempre os críticos acertam, e garimpar o material que desprezam me faz encontrar, não poucas vezes, verdadeiras pérolas. A vida é curta, o tempo escasso. Não se pode perder tempo assistindo a inutilidades. Por isso, é preciso entrar nas locadoras com espírito de caçador, ir atrás dos filmes que valem a pena assistir. Vai aqui uma recomendação que pode ser útil nestes tempos de correria, de toneladas de informação inútil. Mas voltemos ao Batman. Read More

A luta pela esperança. O exemplo que nos faz sobreviver

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luta_esperanca2Cinderella Man. Diretor: Ron Howard. Atores: Russell Crowe, Renée Zellweger, Paul Giamatti. 144 minutos. Assisti a este filme já faz algum tempo. Provavelmente, um par de anos atrás. Mas nos últimos meses, por algum motivo, ele me veio à mente com insistência. Acudiam à lembrança as cenas do filme, sobretudo o título – a esperança –, que bem vale uma luta. A história lembra os filmes dos anos 30-40, aqueles que Frank Capra dirigia com seu otimismo à prova de bomba, empurrando os americanos a acreditarem no seu próprio país. Anos de depressão econômica, seguidos de guerras. O nosso filme situa-se exatamente nessa mesma época. Jim Braddock – encarnado no polivalente ator Russell Crowe – é um boxeador com futuro. Estamos no final da década de 20. Escasseiam os alimentos, também as lutas, e o nosso lutador, para sobreviver, parte para os “bicos” mal pagos das docas. O ambiente é o de sempre. Lembram-se de Marlon Brando, em “Sindicato de Ladrões”, com aquele olhar tímido? É o mesmo entorno, só que desta vez em cores. Surge uma chance, e Jim volta a lutar, porque não lhe resta outro remédio: “Agora eu sei pelo que estou lutando” – declara na roda de imprensa. “Por quê?” – pergunta um jornalista. “Leite!” – responde Jim. Luta para ganhar o sustento dos seus. Mas como sabe lutar, ama sua profissão e pensa na família. O que era obrigação transformar-se em oportunidade, e vai galgando postos até enfrentar o campeão mundial dos pesos pesados. O homem que surge de baixo, do povo, o maltrapilho de New Jersey, mostra a seus iguais – ao povo que tenta sobrevier na miséria – uma luz no fim do túnel, uma verdadeira porta para a esperança: “Se Jim Braddock consegue, talvez nós tenhamos também uma chance na vida” – parecem dizer os que por ele torcem. A imprensa faz-se eco dessas expectativas e começa a apelidá-lo “Cinderella Man” (o homem-cinderela) – título do filme em inglês.

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Antes de Partir: a alegria de fazer as opções certas na vida

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antes_de_partir_3(The Bucket List). Diretor: Rob Reiner. Morgan Freeman, Jack Nicholson. 97 min.Devo confessar que já faz algum tempo que assisti a este filme. Mas faltou-me ocasião para escrever; não encontrava o momento para alinhavar as idéias – muitas e de todo tipo – que se juntaram na minha cabeça. Aconteceu-me, no fim, o mesmo que às personagens: nem sempre se consegue fazer o que previmos. É preciso decidir, estipular hierarquias, pois a sabedoria não consiste em fazer cada vez mais coisas – a pesar de que a técnica nos faz acreditar o contrário – mas em fazer as coisas que de verdadeiramente importam. Não as coisas importantes – afinal a importância é muito relativa – mas as que devem ser feitas. Sabedoria é, por tanto, abrir mão de muitas outras coisas que nunca se poderão fazer, para centrar-se naquelas que devem ser feitas. O universo de possibilidades que nos cerca é muitas vezes uma desculpa confortável para fugir de algumas tarefas – ações, conversas, decisões, ou mesmo saber perder tempo com um sorriso que conforta o próximo – que são nossa missão na vida. Por isso, bati o martelo e decidi escrever sem deixar passar nem um dia mais, enquanto coloquei na espera… algumas coisas ditas importantes que insistem em tomar a dianteira, e querem monopolizar o meu tempo. O filme é um “mano-a-mano” genial de quase 100 minutos entre dois autores consagrados. Não há perigo de contar o argumento, porque não existe como tal. Mais se assemelha a um diálogo de Platão, em versão Hollywood, com a sabedoria de Morgan Freeman no papel de Sócrates, e um prosaico, deselegante e encantador Jack Nicholson, que personifica o sofista de turno. Pura reflexão sobre o que de verdade importa na vida e, como me dizia um amigo animando-me a escrever, um filme “sem desperdício”. Impossível não se lembrar daquele Schmidt de Nicholson, que se confessa por carta com o menino que adotou na África, e não consegue ver a utilidade da sua vida que se acaba. O Schmidt precisa agora de um câncer e de um interlocutor, também com câncer, para nos brindar as reflexões que vão muito além do cômico ou do anedótico. ”Antes de partir” é o título em português da lista de pendências que os dois protagonistas querem completar numa corrida contra o “relógio” do câncer que vai tomando conta do seu organismo. Quais são as coisas importantes na vida, as que não posso deixar de fazer? Eis uma excelente colocação que serve para quase tudo: decidir e fazer o que não pode deixar de ser feito, sem distrair-se – e depois desesperar-se – com o que poderia ser feito. A vida é um leque de possibilidades, e a escolha de uma excluirá possivelmente as outras. A figura do leque de possibilidades associa-se na minha mente ao filósofo dinamarquês Kierkegaard, desde os tempos das aulas de filosofia no colegial. Bons tempos aqueles, em que se estudava filosofia com 15 anos. Não estou certo de que aprendêssemos grandes teorias, mas ao menos tomávamos conhecimento de que existiam pessoas cujo ofício era pensar, questionar-se. Mesmo que, como Kierkegaard, sofressem por isso. Hoje, temos muito que fazer e não podemos dar-nos o luxo de pensar, muito menos de nos questionar. Vai ver que de repente descobrimos que não sabemos porque fazemos as coisas, ou porque fazemos sempre o que não é importante, e ignoramos o essencial. No dia em que essa ficha vier a cair a angústia será tremenda, como a do Schmidt, e o sofrimento dos filósofos existencialistas – que ao menos tiveram a coragem de pensar no assunto – será “café pequeno” comparada à do insensato que passou a vida em piloto automático. Não temos tempo – dizemos – e quase nos convencemos. A pressa é tanta, que não paramos para colocar gasolina no carro… e fatalmente o carro ficará no acostamento, cedo ou tarde. Read More

O Mestre dos Mares: a inevitável solidão do líder

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mestre_maresTenho uma velha dívida com este filme. Assisti e gostei. Recomendei aos amigos, aos alunos e colegas. Mesmo aos pacientes que, sabedores do meu gosto cinematográfico solicitam, junto com prescrição de remédios, alguma medicação para o bom uso do tempo livre, para espraiar-se com fruto, para não perder o gosto por sonhar, que é uma das piores doenças que hoje nos cerca. Doença fatal que mata mesmo: liquida o indivíduo aos poucos, sugando-lhe a esperança, prostrando-o numa verdadeira caquexia de ideais. A minha dívida com Peter Weir –o diretor do filme- aumenta quando me lembro que utilizei diversas cenas de “Master and Commander” para ilustrar minhas aulas, para provocar descaradamente a reflexão. E também para produzir as crises que o pensar origina. Um velho amigo, colega no colégio e hoje diretor de cinema, me disse certa vez: “Tu montas o teu filme com as cenas dos outros; fazes uma colcha de retalhos com os fotogramas que alguém produziu para dar o teu recado”. Tinha toda a razão. Por isso a minha dívida aumenta. Bem é verdade que tenho algum crédito com Peter Weir, pela propaganda enorme que fiz do seu show de Truman, e da Sociedade dos Poetas Mortos. São versões diferentes de um tema apaixonante e duro ao mesmo tempo: a solidão do líder. O inovador, aquele que comanda a mudança para novos paradigmas, chega um momento em que se sente sozinho. Esse é o tema, embrulhado num filme de aventuras –com piratas, abordagem de navios, canhões e tempestades- situado no início do século XIX. Russell Crowe é o capitão Jack Aubrey, comandante do navio britânico Surprise, que persegue o Acheron, barco emblemático da frota Napoleônica. Paul Bettany é o Dr. Stephen Maturin, um médico culto, naturalista, que combina a perfeição a ciência e o humanismo. A mesma dupla de “Mente Brilhante” nos oferece aqui um magnífico mano a mano repleto de valores. Reflexões nos momentos difíceis, diálogos espirituosos, desavenças, crises, amizade verdadeira. E música: encantadores duetos ao anoitecer, na cabine do comandante que toca violino, e o contraponto do médico com seu violoncelo. Para liderar, e também para clinicar, é preciso freqüentar as artes, entender o ser humano na sua expressão mais genuína, permitir-se conviver com as próprias emoções. Afinal, liderança e medicina, são também artes que devem ser construídas. Read More

Copiando Beethoven sem segredos: O poder do eterno feminino

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segredo_beethovenTraduzir o título original de um filme é uma tentativa de torná-lo palatável para o público ao qual se destina. Essa deve ser a intenção, em todas as culturas. Porém, é impressionante o que uma tradução infeliz do título é capaz de fazer com um filme: pode criar anticorpos “a priori”, indispor as pessoas para assisti-lo, enfim, pode até assassinar a fita. Basta lembrar um dos exemplos mais claros: “A Noviça Rebelde” com que foi batizado-destruído o magnífico musical “The Sound of Music”. O episódio do convento é completamente periférico na trama do filme, além do que a tal noviça –a insuperável Julie Andrews- nada tinha de rebelde, muito pelo contrário. Quando notou que o mundo externo não era cor de rosa e teria de enfrentar desafios, tentou desesperadamente encerrar-se no convento. Ainda bem que a Madre Superiora –traquejada na seleção de vocações- fez-lhe ver que as pessoas se enclausuravam não por medo ao mundo, mas por missão de vida. Estas paredes –diz-lhe- não são feitas para albergar os que têm medo de enfrentar o mundo. E a continuação, a magnífica canção “Climb every mountain”, um empurrão fantástico para que a noviça –que não era tal- se decidisse a enfrentar os desafios da sua verdadeira vocação, no mundo. Pessoalmente, sempre tive uma enorme simpatia por essa Madre Superiora, que tem a coragem de colocar cada um no seu lugar: um exemplo, diríamos em linguagem moderna, de coaching eficaz, que facilita o plano de carreira, situando as pessoas diante da missão que lhes corresponde, atenta aos dons que cada um tem. Confesso que já cheguei a pensar se pessoas assim, peritas em coaching vocacional, não seriam uma ajuda inestimável para a academia universitária, na hora de selecionar seus candidatos no vestibular, nas diversas carreiras e, sem dúvida, na medicina que tão de perto me atinge. Pessoas que conseguem medir o que realmente interessa –a vocação- e que teimamos em dizer que não é possível avaliar nem medir. Mas isso já seria outra crônica. E outro filme, não o que nos ocupa. Read More

À Procura da Felicidade: os sonhos que nos fazem viver sem medo

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procura_felicidadeDesta vez foi um amigo, educador com experiência e muitas horas de vôo, quem deu a sugestão. “Assisti com os alunos um filme ótimo, pensei em você. Não sei, escreva algo assim como… sem medo de ser feliz. Estamos precisando, meu caro, e muito. A juventude anda travada”. Arquivei o email, passei para o próximo e pensei: estamos ficando velhos. O meu amigo e eu. Esses diagnósticos sobre a juventude é filme que já vi antes. Mas, de repente, parei. Voltei ao email na pasta de pendentes, e reli o comentário. Na verdade, dizer que a juventude anda mal, não é novidade, é papo de velho, sim. Mas o sinal está trocado. Os velhos criticam a falta de prudência da juventude, avoada, inconsciente, rebelde sem causa, desde os tempos do saudoso James Dean. Mas travada –com medo- é algo novo. São os velhos os que colocam limite aos desvarios da juventude, em versão LSD, Maio 68, seja lá o que for. Agora parece que a juventude é quem nasce com limites, vem travada de fábrica, e cabe aos mais experientes empurrá-los. O mundo às avessas. Um fenômeno que merece reflexão. Will Smith é Chris Gardner, um “self-made-man”, que acumula derrotas e insucessos, mas faz questão de não se conformar, e acaba triunfando. Os tropeços são para Gardner alavanca para novos empreendimentos. Diante de um degrau, muitos tropeçam, caem, e choram. Alguns, os inconformistas, sobem no degrau e visualizam o mundo com outra perspectiva. Não tem medo de ser felizes; vão atrás da felicidade, em verdadeira procura, perseguem-na sem trégua, como aponta o sugestivo título original em inglês. Talvez seja isto o que o meu amigo sugeria: estar travado é não perseguir a felicidade. É conformar-se com o que vem em monótona passividade. Ou, talvez é procurar ser feliz pelos caminhos errados, quer dizer, contentar-se com uma caricatura de felicidade que, naturalmente, desbota com o tempo. O que seja a felicidade é assunto intrincado, filosófico, e certamente não é o que o filme se propõe. Mas é bom saber de que vai o tema, pois não adianta correr atrás de algo que se desconhece. Neste mundo globalizado a comunicação é quase instantânea, e a rapidez de movimentos atingiu níveis nunca antes vistos. Mas não basta correr se o caminho não leva ao objetivo previsto. Já dizia Agostinho: “Bene curris, sed extra viam”. Quer dizer, corres bem, com uma Ferrari talvez, mas fora do caminho. Penso que o conselho do nosso sábio aplica-se perfeitamente aos nossos cibernavegadores globalizados do século XXI. Read More

Diamante de Sangue: O amor que resgata a esperança

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diamante_sangue_3As pessoas mudam, podem melhorar. Isso nos abre à esperança em tempos de desencanto. A decepção com o ser humano – afinal, as frustrações com as instituições são fruto das infidelidades das pessoas que as formam – parece estar na ordem do dia. Ler o jornal e sair incólume é, freqüentemente, um desafio que deve ser conquistado diariamente. Precisamos de estoques de otimismo maiores que as reservas de petróleo que vão sendo descobertas no território nacional. Nunca gostei de Leonardo Di Caprio. Ou melhor, sempre o considerei um garoto caprichoso, desde que ficou emburrado quando não lhe entregaram o Oscar por Titanic, dez anos atrás. Chateou-se mesmo, e nem compareceu à festa. Padecia daquele complexo tão freqüente nos adolescentes que pisam a calçada da fama de ser o umbigo do mundo. E o mundo nem ligou para ele. Daí o meu pé atrás e a minha resistência para assistir os filmes que contém o seu nome nos créditos.Read More