Colin Duriez: J.R.R Tolkien. A criação de uma lenda
Cultor de Livros, S. Paulo, 2023. 240 págs.

Debrucei-me naquilo que pensei ser uma biografia de Tolkien e levei uma surpresa. Já me aconteceu outras vezes, com supostas biografias, como a de Newman escrita por um especialista. Esse é o problema com as biografias de especialistas: partem da premissa -equivocada- que todo leitor conhece as obras do biografado como aquele que está escrevendo. Comentei isto mesmo com um amigo, grande conhecedor de Tolkien, e que chegou a publicar algum livro sobre o escritor inglês. “Não me entusiasmei -me disse. Duriez é talvez o maior especialista em Tolkien, mas dá por suposto que todos leram as obras dele e por isso resulta de difícil leitura”.
Eis um ótimo resumo do que podemos encontrar neste livro. Agradará aos que leram as obras de Tolkien na sua íntegra -que não é o meu caso. Mas para o leitor comum, ou talvez para quem quer conhecer a vida dele, resulta um texto variado, por vezes confuso, uma colcha de retalhos. Passa da imaginação fertilíssima do escritor, para a vida real como pai de família, e tudo costurado com o conhecimento exaustivo que Tolkien tinha da filologia, matéria da qual foi professor.
Assim descreve Duriez no Prólogo, o seu encontro com Tolkien: “Estava lá, na loja. Um livro intitulado O Hobbit, ilustrado na capa com um dragão voador ferido no peito por uma flecha. Peguei-o e abri — as ruinas e os mapas no final me intrigaram. Comprei-o rapidamente e logo me vi acompanhando as aventuras de Bilbo em sua jornada para a Montanha Solitária. Descobri que o autor era amigo íntimo de C. S. Lewis, e eu havia descoberto Lewis recentemente; eu estava até lendo sua autobiografia, Surpreendido pela Alegria. Na próxima vez que visitei a biblioteca, procurei a letra “T” e encontrei aqueles três volumes encadernados em tecido vermelho. Abri-os com grande entusiasmo. A Sociedade do Anel tinha muito mais a oferecer sobre Hobbits. Peguei emprestado o primeiro dos três volumes de O Senhor dos Anéis, e outra fase da minha descoberta começou”.
E adverte também das dificuldades que o escritor enfrentou, na publicação dos seus livros e na vida: “Quando ele quis publicar O Senhor dos Anéis — fruto de cerca de doze anos de escrita —, teve dificuldade em encontrar uma editora. E quando o fez, o editor, embora entusiasmado, viu a obra como um projeto que traria prejuízos financeiros: não conseguia prever os lucros que ela traria tanto para o editor quanto para o autor. A própria vida de Tolkien foi duramente marcada pela orfandade e dificuldades financeiras”.
Agradecem-se os dados biográficos acerca de Tolkien, um aprendizado importante para entender o contexto da sua vida e obra: “John Ronald Reuel Tolkien — pois este era o nome completo dado à criança — nasceu em 3 de janeiro de 1892, em Bloemfontein, África do Sul, primogênito dos súditos ingleses Arthur Reuel e Mabel Tolkien. Seus pais eram de Birmingham, na região central da África, e Mabel Suffield, seu nome de solteira, viera de navio para a Cidade do Cabo para se casar com Arthur, um banqueiro que viera em busca de melhores oportunidades na África, especificamente na região dos minerais preciosos. O Banco da Inglaterra o enviara como seu representante a Bloemfontein, no coração do Estado Livre de Orange, a cerca de 1.100 quilômetros da Cidade do Cabo. Enquanto Arthur permaneceu lá, retido por suas responsabilidades profissionais, Mabel e os filhos embarcaram para a Inglaterra em abril de 1895”.
E a conversão da mãe ao Catolicismo, algo que marcou definitivamente a vida do escritor: “Mabel Tolkien, juntamente com sua irmã Mary, converteu-se à fé católica, apesar da dolorosa oposição de seu pai unitarista e de seus sogros batistas. O apoio financeiro foi retirado da mãe (já viúva), o que a levou a um estado de profunda pobreza. A mãe e os filhos se mudaram daquele ambiente rural para Moseley, no centro da cidade, para ficarem um pouco mais próximos do Oratório de Birmingham, em Edgbaston. Fundado pelo Cardeal Newman na década de 1950, tornou-se o lar espiritual de Mabel depois que ela conheceu outras paróquias católicas mais próximas”. Confesso que quando tropecei com esse dado topográfico, -para quem como eu, admirador indiscutível de Newman de quem li várias biografias-, senti crescer minha simpatia por Tolkien e a expectativa sobre o livro.
Continua o percurso biográfico: “Por meio da Escola St. Philip, Mabel e seus filhos entraram em contato com o Padre Francis Xavier Morgan, que conhecia bem os ideais educacionais do Cardeal Newman. Francis Xavier Morgan era padre assistente no Oratório, que eventualmente teve Newman como bispo. O Padre Francis proporcionou amizade, conselhos e dinheiro à família órfã. Mabel faleceu em Woodside Cottage alguns meses depois, em 14 de novembro de 1904, vítima de diabetes, que na época era intratável. Ela foi sepultada no cemitério da Igreja Católica de São Pedro, em Bromsgrove, e sua lápide ostentava uma cruz semelhante às colocadas nas lápides dos padres do Oratório. A visão dos dois jovens órfãos ao lado do túmulo da mãe deve ter tocado o coração dos enlutados. Ronald relembrou isso anos depois: ‘Testemunhei (com compreensão apenas parcial) os sofrimentos heroicos e a morte prematura em extrema pobreza de minha mãe, que me conduziu à Igreja; e também recebi a extraordinária caridade de Francis Morgan. Mas me apaixonei pelo Santíssimo Sacramento desde o início’….Mabel havia concordado formalmente que o guardião de seus filhos seria o Padre Francis Morgan. Era evidente que ela queria que eles permanecessem sob os cuidados da Igreja Católica. O Padre Francis assumiu o fardo com espírito esportivo e seu entusiasmo habitual”
Órfão de pai e mãe com 12 anos, o irmão menor com 9, a vida de Tolkien segue junto ao Oratório e ao Padre Francis: “Os meninos participaram com entusiasmo do trabalho de caridade da comunidade do Oratório. De acordo com a revista paroquial (maio de 1909): “Três patrulhas escoteiras foram lançadas sob o comando dos irmãos Tolkien e marcharam brilhantemente na inauguração da Brigada dos Meninos na segunda-feira de Páscoa. Considerando que o movimento escoteiro havia começado apenas dois anos antes, sob o comando de Robert Baden-Powell, os irmãos Tolkien podem ser considerados verdadeiros pioneiros!”.
E neste ponto Duriez começa a tecer considerações que atrelam a biografia de Tolkien, que passa a um segundo plano, aos seus escritos: “Muitos nomes de West Midlands se encaixam facilmente no mundo linguístico tolkieniano do Condado. Em uma entrevista posterior, Tolkien revelou que havia “inventado vários idiomas” quando tinha “apenas oito ou nove anos”, mas que os “destruía” quando sua mãe não via nada de apropriado”. E mais adiante: “O rico acervo de memórias de lugares e eventos que Ronald trouxe da Suíça exemplifica como cenários e locais do mundo real se tornariam histórias e lugares inventados na Terra-média (…) Ele tinha o dom extraordinário de capturar a plasticidade de uma paisagem, ou mesmo de uma língua específica, de tal forma que seus leitores também pudessem vivenciá-la. Usando uma de suas imagens, encontrar a plasticidade de uma nova língua era para ele como quando um amante de vinhos descobre uma garrafa deliciosa em uma adega e a prova pela primeira vez”.
Alguns capítulos do livro abordam o tema da Primeira Guerra Mundial, que atingiu Tolkien de perto, onde perdeu alguns dos seus grandes amigos: “Durante a Primeira Guerra Mundial, um em cada oito homens envolvidos no conflito morreu. O grande número de alistados nas universidades de Oxford e Cambridge, juntamente com outros da elite social britânica, sofreu uma taxa de mortalidade muito maior do que a média dos recrutas em todo o país. Isso ocorreu porque a maioria havia se tornado oficiais subalternos, liderando ataques e operações contra o inimigo e estando especialmente expostos ao perigo. Somente nos doze meses anteriores a julho de 1916, quarenta e dois ex-alunos da King Edward’s School, em Birmingham, morreram (…) Uma das maiores batalhas da Primeira Guerra Mundial e com maior número de baixas humanas foi a Batalha do Somme. Gilson (amigo de Tolkien) foi apenas um dos mais de 19.000 soldados britânicos que morreram no avanço. Mais de 36.000 ficaram feridos. De todos os oficiais que entraram em batalha naquele dia, possivelmente mais de 60% morreram. O batalhão de Tolkien não recebeu ordens para entrar em ação naquele primeiro avanço e foi mantido em reserva para mais tarde. Como o corpo de Gilson não foi recuperado imediatamente, ele foi listado por um tempo como “desaparecido”. Não é de se admirar que Tolkien se lembrasse de tudo isso como um “horror animal”. A lei da selva foi sobrepujada pela eficiência mecânica empregada na carnificina. Então, quando o outono deu lugar ao verão, uma chuva fria e constante multiplicou a lama até que ela se tornou como um oceano absorvendo milhares de corpos contorcidos e destroçados”.
E continua, agora tirando as consequências literárias: “Tolkien havia experimentado na guerra toda a brutalidade do mal e seu ataque à humanidade. Isso alertou e fortaleceu sua imaginação. Agora era a vez dele começar a transformar essa realidade em poesia e histórias que ajudariam a mudar o mundo e reduzir sua escuridão. Mais tarde, ele comentaria que o personagem de O Hobbit que acompanha Frodo Bolseiro em sua missão de destruir o Anel deve muito à coexistência com seu “Tommy” durante a guerra: ‘Meu ‘Sam Gamgee’ é, na verdade, uma imagem do soldado inglês, dos soldados comuns que conheci na guerra de 1914 e que, como descobri, eram muito melhores do que eu”.
Linguística, filologia, e mitologias que acompanham as línguas diversas. Esse é um tema onde o escritor se detém, de difícil compreensão para os leitores comuns: “É possível que, a essa altura, ele já tivesse chegado à convicção de que toda língua contém em si a configuração de uma mitologia antiga. Além disso passou a acreditar que uma mitologia sem uma língua era tão inconcebível quanto uma língua sem mitologia. Um dos pensadores mais importantes da nossa época, George Steiner, comentou sobre essa descoberta feita pelo jovem Tolkien quando ele começava a criar línguas. “Muito cedo, Tolkien chegou à sua grande descoberta: a estrutura básica de uma gramática é inerte se não tiver conteúdo mitológico, sem a imagem de um mundo, em parte real, em parte imaginário, que confere à fala humana sua mistura vital de comunicação e segredos. Tolkien não utilizou a ideia de mitologia no sentido de algo falso, mas sim de algo em que se acreditava, ou pelo menos, algo em que se acreditava”.
Tolkien faz da mitologia e da filologia um verdadeiro campo de pesquisa acadêmica, e de docência habitual: “A ficção se tornaria para Tolkien a principal área de investigação acadêmica em seu campo filológico. Um estudante canadense de pós-graduação também ouvira Tolkien dar uma palestra naqueles primeiros anos e relembrou: Ele aparecia com seu comportamento leve e bem-humorado, sua toga esvoaçante, seu cabelo loiro brilhante, sempre me vêm à mente. As passagens aterrorizantes e os perigos que ele relatava nos deixavam de cabelo em pé. Ele lia como ninguém que eu já conheci. A sala de aula era lotado; essas aulas eram realizadas em salas de exame, e ele era um jovem professor na época, antes que O Hobbit ou a Trilogia o tornassem famoso. Também assisti a um seminário dele sobre o Gótico. Ele era um ótimo professor; você gostava dele; ele era cortês e sempre tão educado (…) Não é de se admirar que Tolkien tenha sido chamado de “escritor filológico”, termo que se aplica tanto aos seus escritos acadêmicos quanto aos ficcionais (…) Um sinal da qualidade literária de O Senhor dos Anéis é sua base na linguagem. Tolkien usa suas línguas inventadas para atribuir nomes e também para concretizar possibilidades imaginativas. A linguagem concreta é a base da mitologia que sustenta tudo”.
E outra passagem também significativa: “Anos mais tarde, Tolkien confessaria, ao trabalhar no Oxford English Dictionary, que ‘aprendi mais naqueles dois anos do que em qualquer outro período semelhante da minha vida’. Ao descrever seu próprio processo criativo, Tolkien frequentemente comenta como a contemplação de uma palavra específica pode ser o ponto de partida para uma aventura da imaginação… Será que esse trabalho no Dicionário fez com que sua paixão pelas palavras se desenvolvesse de uma maneira tão especial? (…) Falando sobre a fecundidade de sua imaginação, Tolkien comentou em uma entrevista: ‘Minhas histórias parecem crescer como um floco de neve a partir de um grão de poeira’
O capitulo familiar é também um dado biográfico importante. Pensei que seria abordado com maior profundidade -em virtude dos comentários de outro amigo, que me disse que Tolkien tinha uma envergadura intelectual que a esposa, Edith, não conseguir acompanhar- mas não o encontrei. Anoto o que me chamou a atenção: “Tolkien era um verdadeiro homem de família. O principal público de suas histórias eram seus próprios filhos, que ao longo dos anos ouviram muitas de suas histórias. O Hobbit começou como um conto contado por um pai para seus filhos pequenos”.
Mas parece que essas histórias familiares tiveram uma gênese inesperada: “Conta-se que ele encontrou uma página em branco em uma de suas provas — ao relatar esse momento, seu rosto se iluminou. De repente, ele rabiscou no meio da folha: ‘Em um buraco no chão vivia um hobbit’. Naquela época, ele ainda não tinha ideia do que era um hobbit. Como sempre, nomes despertavam histórias em sua mente. Finalmente, decidiu que seria melhor descobrir como eram esses hobbits misteriosos. Sentia que acabara de tropeçar em uma palavra ainda não registrada na língua inglesa. Teria ele a cunhado ou simplesmente a descoberto?”
Duriez anota a seguir o rumo que os escritos de Tolkien vão assumindo a partir dessa descoberta fortuita do hobbit. “Naquela época, Tolkien lutava para integrar seu pensamento e imaginação. Tolkien, de alguma forma, cria um senso de realidade em seu mundo imaginário. Os escritos acadêmicos de Tolkien tornaram-se cada vez menos frequentes, enquanto seus escritos ficcionais capturavam sua atenção tanto como erudito quanto como contador de histórias. Um bom conto de fadas era, na verdade, uma subcriação, a realização máxima da fantasia, a arte mais elevada, derivando seu poder da própria linguagem humana. O escritor de contos de fadas constrói um Mundo Secundário no qual a mente pode entrar. Dentro dele, o que ele conta é verdadeiro: é consistente com as leis daquele mundo. Além de oferecer um Mundo Secundário, com aquela “consistência interna da realidade”, um bom conto de fadas, na visão de Tolkien, possui três outras características essenciais: primeiro, ajuda a gerar no leitor o que ele chamou de recuperação, isto é, a restauração de uma visão autêntica do significado do ordinário e humilde que compõe a vida e a realidade humanas: realidades como o amor, o pensamento, as árvores, as colinas e a comida; segundo, um bom conto de fadas oferece uma fuga da própria visão estreita e distorcida da realidade e do significado; e, finalmente, uma boa história proporciona conforto e, em última análise, alegria”.
E os resultados desse trabalho: “Com exceção de um intervalo de quase um ano e de alguns períodos mais curtos em que sua imaginação parecia ter se dissipado, Tolkien escreveu grande parte de O Senhor dos Anéis durante os anos de guerra, enquanto também o lia para alguns membros do grupo Inkling. Todos puderam lhe dar o apoio de que ele às vezes precisava desesperadamente. Eles ouviram essa história com paciência e interesse genuíno, ‘tanto que quase me faz suspeitar que haja sangue hobbit em seus veneráveis ancestrais’.”
Nessa altura o biógrafo anota alguns pontos que levam àquela suspeita que meu amigo tinha levantado: “ Lewis frequentemente se preocupava com as aflições complexas que Tolkien parecia sofrer em seu casamento. Durante os anos imediatamente posteriores ao fim da guerra, e até a década de 1950, Edith ficou em grande parte isolada da vida do marido em Oxford (…) Edith começou a se sentir ignorada pelo marido. É verdade que Ronald passava muitas horas em casa, já que lá desempenhava boa parte de suas funções de professor, e só saía uma ou duas noites por semana, mas o problema residia em seus afetos. Ronald era terno e atencioso com ela; importava-se profundamente com sua saúde — isso era recíproco — e com assuntos domésticos; mas Edith sabia que uma parte dele só despertava na presença de outros homens em sua mesma esfera”.
Em vários momentos do livro abordam-se as relações de Tolkien com C.S. Lewis: “Naquele primeiro encontro, Tolkien e Lewis tinham visões radicalmente opostas sobre o mundo, embora Lewis estivesse migrando do materialismo para uma forma de idealismo. Tolkien era um defensor do sobrenatural no sentido tradicional, que certamente acreditava nas doutrinas ortodoxas do cristianismo desde Infância”. Mas com o tempo foi se consolidando uma grande amizade, como o mesmo Tolkien confessa: “A amizade com Lewis compensa muitas coisas e, além de proporcionar prazer e conforto constantes, descobri muito de bom nesse contato com uma pessoa que é ao mesmo tempo sincera, corajosa, intelectual”.
Também Lewis escreverá depois: “A amizade com Tolkien marcou o fim de dois antigos preconceitos. Assim que vim a este mundo, disseram-me — implicitamente — para nunca confiar em um papista, e assim que entrei para a English College — explicitamente — para nunca confiar em um filólogo. Tolkien era ambos”. E a raiz dessa amizade e do prazer intelectual, escreveria poeticamente: “Ao ler literatura, eu me torno mil homens, e ainda assim continuo o mesmo. Como o céu noturno no poema grego, vejo com mil olhos, mas ainda sou eu quem vê. Nisto, como na oração, no amor, na ação moral e no conhecimento, transcendo a mim mesmo, e nunca sou mais eu mesmo do que quando o faço”
Fecho estes comentários anotando o esforço editorial para publicar as obras de Tolkien, o que também consta no final do livro: “Devido à sua extensão, a editora decidiu publicá-lo em três partes. Os dois primeiros volumes — A Sociedade do Anel e As Duas Torres — foram lançados em 29 de julho e 11 de novembro de 1954, respectivamente, e o último — O Retorno do Rei — no ano seguinte, em 20 de outubro. Assim, os leitores tiveram que esperar quase um ano para descobrir o que havia acontecido com o hobbit Frodo, capturado por nas fronteiras de Mordor. Tolkien confessou o quanto havia investido na escrita de O Senhor dos Anéis: ‘Escrevi-o com a minha alma, grande ou pequena, seja ela qual for; a alma que tenho.’ (…) As reações à O Senhor dos Anéis tenderam a ser polarizadas. Como obra literária, seus pontos fortes e fracos têm sido amplamente debatidos por acadêmicos e inúmeros leitores, e continuam a dividir os críticos até hoje. Em 2007, as vendas estimadas — considerando edições em vários volumes como um único livro — de O Senhor dos Anéis atingiram 150 milhões de cópias. E outras influencias, como por exemplo a Nova Zelândia tornou-se uma Terra-média não oficial devido aos filmes de Peter Jackson”.
Eu que não tinha lido Tolkien, deparei-me há duas décadas com um filme que juntava vários clips de O senhor dos anéis, que meus alunos montaram. E me disseram: “Professor, você poderia comentar este filme, conforme o projeta? Aquele seu estilo de usar o cinema para refletir….”. Assim o fiz, e dessa vez ficou claro o que Tolkien queria dizer, os valores humanos magníficos que promovia através dos Hobbits e da Sociedade do Anel.