Finch: Humanizar o robô, para nos humanizar a nós?

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Finch. Diretor: Miguel SapochnikTom HanksCaleb Landry  Jones. 115 min. USA:  2021

Existem atores que enchem a tela. Não porque pequem de narcisismo ou de arrogância estúpida, mas porque funcionam muito bem nesse registro. Também não quer dizer que sejam os melhores, mas que em voo solo sabem incarnar o papel:  dão o recado, desdobram o miolo da mensagem e chegam facilmente no coração e na cabeça do espectador. Porque, isso sim, os atores de performance solitária,  estão necessariamente atrelados a alguma carga de profundidade que destila dos fotogramas. Foi assim recentemente com Sandra Bullock em Imperdoável. É o caso de Tom Hanks em Finch, que agora toma conta destas linhas.

Hanks tem já um bom percurso neste modelo. Naufrago, sem dúvida, um exemplo emblemático, impossível não evocar enquanto assistimos o filme que nos ocupa. Mas também outras atuações como Greyhound ou Sully. E também atuações onde as outras personagens não passam de coadjuvantes, porque o protagonista carrega tudo nas próprias costas. Ai está A Ponte dos Espiões; e, naturalmente Forrest Gump,  o ponto fora da curva, que vive num mundo dele (que gostaríamos fosse o nosso).

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Nelson Rodrigues: “ A Vida como Ela é…..em 100 inéditos”.

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Nelson Rodrigues: “ A Vida como Ela é…..em 100 inéditos”. Ed. Nova Fronteira. Rio de Janeiro, 2012. 440 págs.

Não sei se a vida é como Nelson a pinta, repleta de bizarrices, de comportamentos chocantes, de virtude pacata desmascarada na hora do vamos ver. Provavelmente não, porque isto lembra Notícias Populares, onde somente o escândalo retorto tinha vez. A vida não é assim. Mas as paixões são essas mesmas, e pode haver muito disto – e também de virtude, que tem menos apelo literário para crónicas- na hora de narrar uma vida.

Mas o que importa é o modo com o Nelson conta, a força da narrativa, rápida, chocante, mordaz, com domínio da língua e da gíria popular. Algumas pérolas: “Durante seis meses foi o que se chama um viúvo inconsolável. Vestido de preto, de alto a baixo, fazia questão da própria tristeza. Era, em verdade, uma tristeza total e minuciosa, que não admitia um vago, um tenso sorriso (…) Sandoval ficou com os defeitos do pai, da mãe e os próprios. Tinha todos os defeitos deste mundo e do outro e, inclusive, tomava dinheiro de mulher (…) Lourdinha percebeu, então, que fora o som deste riso que a conquistara. Sim, era um riso de muitos dentes, escancarado e vital. Ela não teve mais dúvidas: apaixonara-se por esse homem. Só no fim quando pagou a despesa, já completamente bêbado, ele balbuciou: Sou casado, ouviste? Casadinho!”.

Saborear, dar risada, tirar importância das tragédias que nos mesmos montamos na nossa vida, por vezes tão cinzenta, leva tempo. Carece de demora, como diria Guimarães Rosa. Foi por isso que demorei tempo, mais de ano, em degustar os inéditos da vida que o Nelson afirma ser assim. Uma ou duas por dia, nem todos os dias, com paradas estratégicas, deixando chegar a saudade, para voltar a livro.

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Charles Dickens: Um conto de Natal

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L& PM Pocket. 111 pgs.

A releitura do Conto de Natal, o clássico de Dickens, é sempre uma tentação convidativa nesta  época do ano. Sabendo disso, e com a certeza de que muitos dos participantes da tertúlia literária já o tinham lido, decidimos escalá-lo para nossa conversa alguns dias antes do Natal. Afinal, todos somos um pouco como o protagonista, Scrooge, que precisa da lembrança atual dos natais passados para entender o presente, visualizar o futuro, e mesmo assim esquece.

O homem é um ser que esquece , diziam os clássicos latinos. Não esquece os detalhes, a lista de agravos, as desfeitas que fizeram com ele; tudo isso ele o guarda ciosamente, e muitas vezes acaba azedando. O esquecimento é, lamentavelmente, das coisas importantes: dos sonhos, dos projetos, dos propósitos de melhora. Enfim, Scrooge personalizado em cada um. Por isso, a pequena obra maestra de Dickens nunca perde atualidade.

A maestria de Dickens está muito bem descrita no prefácio: “Colocou-se sempre ao lado dos velhos, dos órfãos desamparados, das crianças desumanamente empregadas na indústria, dos pais de família desempregados. Em sua literatura, lamentou sobre a simplicidade e a inocência perdidas e, de modo engajado e edificante – na melhor acepção do termo –, tentou trazer à tona os melhores sentimentos das pessoas, sem nunca deixar de lado o entretenimento. São estes conflitos modernos da vida real, de perda de valores ancestrais e familiares, de degradação dos laços sociais, que Dickens resolve na literatura e, especificamente, em Um Conto de Natal, mas sem jamais manchar, ofender ou criticar abertamente as instituições vitorianas. Dickens esteve entre os primeiros a detectar os males da sociedade moderna, ainda mais partindo do coração da poderosa Inglaterra vitoriana, e Scrooge, com sua ganância pelo lucro, é o seu símbolo maior para toda a crueldade do capitalismo selvagem. Deste modo, onde ainda houver sentimentos  de solidariedade para com os excluídos, amor às reuniões familiares, vontade de congregação entre as pessoas e estranheza frente às frias relações de comércio e trabalho, Um Conto de Natal continuará atual”.

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Imperdoável: Vigiar os pensamentos do coração.

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The Unforgivable. Dir: Nora Fingscheidt. Sandra BullockViola DavisVincent D’Onofrio. USA 2021. 112 min

Tropecei com o filme, ou melhor, com as palavras chave. Sandra Bullock, vinte anos de prisão, assassinato, criminosa rejeitada pela sociedade. Não precisou mais: a faísca saltou, como arco voltaico, e lá estava eu na frente dos fotogramas que, lentos, sem pressa, se sucediam. Pressa para o que? Uma vida partida, vinte anos perdidos, e a reputação no lodo, sem remédio. E tudo concentrado na face desfeita, no olhar triste e conformado, no andar trôpego de uma Sandra Bullock em plenitude. Enchendo a tela, as nossas cabeças, apelando para a consciência. Uma tragédia sem volta, um final conhecido -lembrei de Antígona, de Desdêmona, de Lucia de Lammermoor.

Não há o que descrever, nem é possível aventurar-se com o argumento que, de outra parte, é simples, duro, insolúvel. É preciso assistir com atenção, com respeito, e apalpar o sofrimento que a atriz -insisto, em estado de graça- o torna próximo, verossímil, doloroso. As conclusões -e os aprendizados, imensos- virão em decorrência. E nos cutucarão, porque o filme é isso: uma chacoalhada na consciência do espectador.

Recentemente comentamos na nossa tertúlia literária um livro que adverte do perigo da palavra ociosa, do julgamento frívolo, de manchar a fama do próximo: Reparação . Todos saímos da nossa reunião de pensadores com a ideia clara de que é preciso vigiar -em marcação cerrada- as palavras, o que falamos dos outros, porque o estrago dificilmente tem conserto, como mostra a obra de Mc Ewan.  

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Medicina USP, 64a: Celebrando quatro décadas

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No dia 19 de Dezembro, a turma da Faculdade de Medicina USP na qual me graduei, completa 40 anos. Em 1976 quando ingressamos na “Casa de Arnaldo” (ainda via CESCEM, última turma desse modelo de vestibular), soubemos que os programas pedagógicos de graduação que nos antecederam tinham desaparecido. O curso tradicional e o experimental, juntaram-se para receber-nos de braços abertos: seríamos a turma da Fusão. A ironia criativa da juventude encontrou rapidamente o nome que nos auto impusemos: seríamos Os Fundidos!

Teve jornal próprio da turma –O Fundido, como não poderia deixar de ser- e esse predicado acompanhou-nos ao longo destas quatro décadas. O grupo de WhatsApp, criado nos últimos anos, também tinha o nome predestinado: Fundidos 64. E até no painel comemorativo da formatura -que, por assuntos que não vem ao caso aqui, somente instalamos 18 anos depois daquele 19 de Dezembro de 1981 no auditório do Anhembi- , apontava para a fusão dos fundidos. Desta vez em latim, porque é preciso manter a classe e a tradição: “Amiticia ex junctione oritur”, da união –da fusão- nasce a amizade.

Demoramos em decolar com as reuniões comemorativas da formatura. A primeira, em 1991, celebrando os 10 anos, num final de semana. Depois eventos rápidos, pontuais, para comemorar os 15, os 18 (onde, finalmente, ganhamos vergonha e decidimos instalar o painel….com fotos de 1981, naturalmente). Mais um encontro aos 20 anos, uma jornada para celebrar os 25 no Rancho Silvestre. Depois, para não deixar a peteca cair -e lembrar com carinho da fisionomia de todos- seguiram-se os 28, os 30 e os 33 anos. Finalmente, uma comemoração inesquecível dos 35, um final de semana na fazenda Santa Carolina, estampou a foto que, até hoje, representa o grupo dos fundidos nas redes sociais.

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Ian Mc Ewan: Reparação

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Ian Mc Ewan: Reparação Companhia das Letras . São Paulo. 2002.  448 págs.

Devo confessar que Ian Mc Ewan não era santo da minha devoção. Tinha lido algumas obras dele, e fiquei com um sabor de boca mal definido. O  complicado mistura-se por vezes com o tosco, as realidades com os sonhos, enfim, uma salada que não me resultou agradável. Os comentários de um grande amigo, homem culto e de imenso bom senso, que me consta tinha lido “Reparação” várias vezes, foram o  empurrão para escalar esta obra de Mc Ewan na nossa tertúlia literária mensal. O meu amigo faleceu neste ano, e quero pensar que a escolha -e, certamente, estas linhas- são um tributo agradecido. A distância -que não a ausência, porque ele continua presente- é recurso que aprimora a perspectiva.

Briony, a protagonista absoluta do romance, “era uma dessas crianças possuídas pelo desejo de que o mundo seja exatamente como elas querem”. Ela é também a diretora desta orquestra singular de personagens, onde todos devem agir em função dela. Gosta de escrever -aliás, como se verá, é a autora do romance que estamos lendo- e desenhas as próprias peças de teatro, que são os fios através dos quais movimenta as marionetes, quer dizer, as outras personagens: “A peça não era para os primos, era para o irmão, para comemorar sua volta, despertar sua admiração e afastá-lo daquela sucessão descuidada de namoradas, orientá-lo em direção a uma esposa adequada, aquela que o convenceria a voltar para o interior, que requisitaria, com doçura, a participação de Briony como dama de honra”. Os primos, meros coadjuvantes da sua vontade, por vezes atrapalham seu protagonismo: “A cor de seus primos era viva demais — praticamente fluorescente! — para que fosse possível disfarçá-la”.

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Lev Tolstói: “A Sonata a Kreutzer”.

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Lev Tolstói: “A Sonata a Kreutzer”. Editora 34. São Paulo, 2007. 113 págs.

Uma das últimas obras do escritor russo, protagonizou a nossa tertúlia literária. Um protagonismo singular, um estopim de reflexões, algumas na hora, outras por escrito que algum participante enviou a posteriori. Valha esta amostra para sentir o teor da reflexão conjunta: “Gostei muito do livro e dos comentários do grupo. No início da leitura tive vontade de entrar naquele trem e dizer aos passageiros que após 200 anos pouquíssimas coisas mudaram”. 

Conta o tradutor na orelha do livro a história da famosa Sonata a Kreutzer que dá nome a esta obra de Tolstói. Parece ser que Beethoven compôs em 1803 uma Sonata para Piano e Violino de extrema dificuldade interpretativa. Foi apresentada em Viena e o violinista, George Bridgetower, mostrou um virtuosismo tal que Beethoven decidiu dedicar-lhe a Sonata. Porém, após o concerto, em conversa descontraída, o violinista que exercia grande atração sobre as mulheres, fez um comentário acerca de uma dama conhecida de Beethoven. Este, irritado, arrebatou-lhe a partitura, riscou o nome de Bridgetower da dedicatória e, mais tarde, veio dedicar a Rodolphe Kreutzer, considerado um dos maiores violinistas na Europa. Kreutzer nunca chegou a interpretar a sonata, por considerá-la de extrema dificuldade. A história ficou e Tolstói, que conhecia a peça e voltou a escutá-la na própria casa em 1888, a usou como gatilho para esta obra conturbada -quase um monólogo reflexivo de assustadora profundidade. 

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Quanto Vale? Processos, Atenção individual ou a Ciência de saber escutar.

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Worth. Diretor: Sara Colangelo. Stanley Tucci, Michael Keaton, Amy Ryan, Tate Donovan, Laura Benanti. USA 2020. 118 min.

Tropeço com este filme, que está ao alcance de qualquer um -plataformas, internet, e outros recursos- após ler um comentário acerca da destacada atuação de um dos atores. Assisto um mano a mano, um concerto para dois pianos, ou melhor, um dueto de ópera (visto que é gosto comum das personagens), em performance magnífica de dois atores imensos. E estou, até agora, pensando no dilema, sem encontrar uma solução confortável. Incomodado, desafiado, enfim, tentando levantar a luva que a fita me arremessou convidando-me a este duelo reflexivo. Um problema. Aliás, os filmes bons costumam me causar problemas, cutucam meu interior, como semente que briga por sair à luz, e desabrochar em consequências nem sempre controláveis. 

A história é real, no contexto e nas personagens. A tragédia do 11 de Setembro, resultou em mortes, em dificuldades e em desdobramentos. O governo americano decide criar um fundo para indenizar as famílias das vítimas. Indenização que tem a contrapartida de abrir mão de  qualquer outro processo contra as companhias aéreas ou a segurança oficial. “Aqui está, junto com as nossas condolências a compensação que podemos oferecer pela sua dor. Tome-a e vá em paz, não me crie mais problemas dos que já tenho, que não são poucos”. As palavras são minhas, mas poderiam ser do governo americano. É preciso fazer algo, que nunca vai compensar a dor da perda. Por tanto, melhor chamar um especialista nestes temas, que além do mais é democrata, quer dizer, da oposição, alguém “sensível” ao social. 

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Cry Macho, o caminho para a redenção. Maturidade para escolher as batalhas a enfrentar.

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Cry Macho. Diretor: Clint Eastwood. Clint Eastwood, Dwight Yoakam, Eduardo Minett, Natalia Traven. USA 2021. 104 min.

Eu já imaginava que seria assim. Assistir um filme do Clint Eastwood, nesta altura do campeonato, decanta em reflexão e na obrigação, quase moral, de rascunhar estas linhas. Altura de um campeonato longo -91 anos para ele, 64 para mim- e uma longa parceria, um mano a mano, onde as histórias, os fotogramas, as entrelinhas que ele me proporciona são um desafio contínuo para a minha reflexão que aqui, simplesmente, traduzo em voz alta. 

Antes de sentar para escrever, andei pensando no título desta crónica que faço para mim mesmo …e compartilho com os que se atrevam a ler. Tive de pensar sim, porque os vários comentários que fiz dos filmes de Eastwood -acabo de revisar agora- têm uma tónica comum: a sabedoria que se acumula com os anos, a prudência serena da maturidade, enfim, algo a ver com o subtítulo em português que alguém estampou nesta fita: o caminho para a redenção. Parece-me que Clint reflete a golpe de câmara, enquanto eu, mais discretamente, o faço a golpe de teclado. Pode até ser um caminho para a redenção -um acertar as contas com o passado, empreitada sempre importante- mas confesso que o subtítulo que me veio à cabeça é outro: a maturidade para escolher as batalhas a enfrentar. 

Não vou me deter naquilo que é obvio. Um homem de 91 anos, que poderia estar descansando tranquilamente, e que enfrenta a direção e a interpretação de mais um filme. Veteranos que são feitos de uma matéria diferente -fabricação antiga, chapa grossa que não amassa, como dizia um velho amigo- e que por mais que tentem, não conseguem pendurar as chuteiras. Ou até as penduraram já várias vezes, para retomá-las depois. Lá está Woody Allen, embora confessa ter vergonha de interpretar as personagens, e procurar alter egos….Lá está Scorsese, que convoca septuagenários para o filme O Irlandês, e lembro de ter feito essa ligação de veteranos “chapa grossa” com ocasião da entrega dos Oscar 2020

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Javier Moro: “Flor da Pele”.

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Javier Moro: “Flor da Pele”. Ed. Planeta do Brasil. São Paulo. 2016. 433 págs.

O livro escolhido para a Tertúlia Literária, sugestão de algum dos nossos professores, veio a calhar para os momentos que estamos vivendo nestes já quase dois anos de pandemia. Com a sua maestria habitual, Javier Moro romanceia a história e nos apresenta a expedição comandada por dois médicos espanhóis no início do século XIX, para levar a vacina da varíola até América.  

E o primeiro aprendizado -dos muitos que se têm quando se frequenta a História- é que eu, sendo espanhol, nunca tinha ouvido falar desta aventura, quase uma epopeia. A mesma ignorância sobre o tema apontou a minha irmã, professora de filosofia em Madrid, mulher culta e estudada, que participou da nossa tertúlia. Como ela mesma comentou, o reinado de Carlos IV, que de algum modo patrocinou a expedição, é conhecido pelos desastres na História de Espanha: a invasão Napoleónica, as tramoias de Godoy, primeiro ministro que pactuou com os franceses, e outras trapalhadas. Somente se salva Goya com os seus quadros magníficos…. E agora, também, a expedição da vacina para América!

Voltando ao livro que nos ocupa, Moro faz a abertura na Galícia, terra de Isabel Zendal -a protagonista absoluta do livro- onde naquela época se comentava que “cada criança que nasce não é uma boca que come, mas dois braços que trabalham”. Corre o ano 1788, no meio da pobreza, do frio e da analfabetização, da qual Isabel escapa por milagre. “Entre os pobres existia a aceitação tácita de que o destino não era algo que se escolhia. Ele se impunha, na maioria das vezes de um jeito ruim, em outras para o bem. Sempre de forma inelutável (…) naquela época passava-se frio em todos os lugares — nas casas ricas, por avareza; nas pobres, por miséria”

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