Coração Valente. Liderança Épica em Mel Gibson.

Pablo González Blasco Cinema, Filmes Leave a Comment

(Braveheart) 1995. Diretor: Mel Gibson. Mel Gibson, Sophie Marceau, Patrick McGoohan, Catherine McCormack. 177 min. http://www.imdb.com/title/tt0112573/

Um merecido Oscar de melhor filme e outro de melhor direção posicionam a nossa expectativa para esta aventura que se passa na Escócia, a princípios do século XIV. William Wallace, um camponês plebeu lidera as revoltas contra a tirania Inglesa. Terá de lutar, também, contra as divisões dos próprios nobres da Escócia, cujo afã de poder é superior à solidariedade necessária para a união contra o opressor.

Mel Gibson consegue um filme de qualidade, um verdadeiro épico numa linguagem moderna e atrativa. Contém todos os ingredientes medievais necessários: enormes exércitos coloridos e paramentados, batalhas nas planícies, assaltos a castelos; espadas, flechas, e lanças para ninguém pôr defeito. E junto a estes elementos, outros não menos importantes, que são os motivos, nobres e mesquinhos, que movem as pessoas: a honra, a justiça, a lealdade, o clamor incessante de liberdade, a dama idolatrada, o amor, a traição,

A câmara não se poupa mostrando as paisagens do verde molhado da Escócia. A trilha sonora é adequadíssima, em elegante contraste com o realismo das cenas. Porque, claro está, o filme contém também todos os perfis do cinema atual, que favorecem o interesse do espectador: uma crueza quase brutal nas cenas sangrentas, a câmera lenta que disseca esforços e sofrimentos, efeitos sonoros e de imagem, que tornam a produção de grande plasticidade. Entra pelos olhos, prende a atenção, engancha o ânimo do público do começo ao fim.

Mel Gibson fabrica-se um papel sob medida; nota-se que está à vontade, que desfruta atuando. E, contudo, sendo o filme, o tempo todo, ele e dele, não demonstra o vedetismo tão comum em atores-diretores, que se promovem de modo ostensivo nos seus próprios filmes. William Wallace maneja a espada com destreza, ao tempo em que pensa, medita, reza, e fala várias línguas. Ressalta com isso a cultura, a inteligência, a lealdade e o entusiasmo como superiores à força quando se trata das qualidades de um verdadeiro líder. E consegue, no conjunto, uma perfeição de forma notável e variada: o mesmo cuidado e detalhe na direção das batalhas e lutas, como nas cenas de intimidade, amor e paixão; tanto nos campos de Escócia semeados de cadáveres como nos interiores onde se travam as batalhas da alma, a grandeza e a sovinice dos homens.

Um filme necessário, excelente, que agradará a todos. O uso de um realismo explícito nas cenas de violência, e na suavidade demorada das cenas amorosas, não lhe tira o mérito. São a linguagem cinematográfica de hoje, para um público do século XXI que, vestidos e perfumados, tem às vezes a mesma rudeza dos bons escoceses do século XIV. Se não nas formas, talvez no espírito e, quem sabe, menos virtude em bruto do que aqueles.

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