APOLLO 13

Pablo González Blasco Cinema, Filmes Leave a Comment

(Apollo 13) Diretor: Ron Howard. Tom Hanks, Bill Paxton, Kevin Bacon, Gary Sinise, Ed Harris, Kathelen Quinlan. USA 1995. 138 min.

As dificuldades unem. E quando as dificuldades ultrapassam o âmbito pessoal, projetando-se numa comunidade qualquer, despertam a solidariedade de todos os que tomam conhecimento. Isto não é o modo americano de ver a vida, mas algo próprio da condição humana, qualquer que seja sua nacionalidade. É notável o poder aglutinante que têm as tragédias, recrutando os bons sentimentos e as melhores disposições que se podem extrair do coração humano.  Mais do que para admirar é fato que propicia a reflexão. Pensar, por exemplo, como se poderia conseguir essa concórdia maravilhosa, habitualmente, sem necessidade de abeirar-se à situação calamitosa. Mas também é próprio da condição humana dar valor ao homem pelo que ele é -não pelo que tem- em situações extraordinárias onde, tudo o demais, aparece como supérfluo. Nesses momentos, todo o destaque fica por conta dos verdadeiros valores -amizade, dignidade, o amor, a vida- que são ímãs que aglutinam os homens. Essa é a magia unitiva das tragédias: desmascaram o que é realmente importante na vida dos mortais.

            Neste contexto, um filme como Apollo 13 tinha de ser um sucesso. A missão espacial, liderada em Abril de l970 pelo comandante Jim Lovell, -um “fracasso vitorioso”- teve o mundo todo em suspense durante uma semana. O fato de ser um argumento real, com final conhecido, não tira força dramática ao filme e mantém perfeitamente o suspense. Uma direção bem conduzida é a responsável por isso; e assim, apesar da trama e o suspense estarem ancorados em detalhes técnicos -técnica espacial, linguagem NASA, desconhecida para o público- consegue-se mostrar os fatos de modo simples, compreensível. O espectador é envolvido na história. A montagem variadíssima, com sequencias dramáticas dos familiares dos astronautas, torna o filme ainda mais humano.

            Comentários aparte merecem os efeitos especiais, muito bem conseguidos, agraciados com um Oscar. E os detalhes, cuidadíssimos, da filmagem do voo, da nave, do trabalho da equipe de terra. Um destaque singular para uma interpretação cálida e comovente dos atores, que nos servem botões, painéis e artefatos de toda espécie em linguagem que sintoniza perfeitamente com nossa afetividade, ganha nossa simpatia. Tom Hanks -no papel de Lovell- e Gary Sinise, cada vez melhor, repetindo a “dobradinha” de Forrest Gump. Os outros astronautas e, sobretudo, Ed Harris, o homem de comando da NASA, numa atuação fabulosa. E, muito firme também, Kathelen Quinlan, como Marilyn Lovell.

            Um filme de aventuras, muito americano, mas sem triunfalismos, que toca com acerto a tecla da solidariedade humana, apresentada com os melhores recursos fílmicos do momento, sublinhado por uma boa trilha sonora. Um filme para todos os públicos.

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