Maurice Caillet: “Yo fui Masón”

Gabriel Brandão Livros Leave a Comment

Maurice Caillet: “Yo fui Masón”. Libroslibres. 184 pgs. Madrid. 2008

     O autor, nascido numa família de orientação liberal, não foi batizado nem teve contato nenhum com a formação religiosa. Médico de formação– com especialidade em urologia e ginecologia – foi um adepto praticante dos métodos anticonceptivos, um dos primeiros a implantar DIUs, além de praticar a esterilização em mulheres e homens. Com pouco mais de trinta anos ingressou nas fileiras da Franco-Maçonaria, onde militou por mais de 15 anos.

     Nesta obra, relata com detalhes a sua ascensão dentro da Maçonaria -de aprendiz até Mestre Venerável e responsável por uma importante Loja- assim como os rituais praticados, e também as surpresas: comprovar como muitos dos maçons importantes ocultavam sua condição – “irmãos dormentes”- com o fim de preservar-se diante da opinião pública; ou a falta do apoio esperado, ou mesmo a perseguição velada de que foi objeto.

     Mas o livro vai além do tema que o título sugere, para adentrar-se no processo de conversão do autor, primeiro para o Cristianismo Ortodoxo, onde foi batizado com 54 anos, e finalmente para a Igreja Católica. Uma trajetória impressionante que faz pensar, mais uma vez, que Deus não abandona àqueles que o buscam com coração sincero. Um belo testemunho de vida de quem apesar de ter sofrido discriminação e acossamento, relata os fatos sem paixão, e com respeito por pessoas e instituições.

O humanismo médico: em busca de uma humanização sustentável da Medicina

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The medical humanism: the pursuit of sustainable medical humanization

Pablo González Blasco

Médico (FMUSP, 1981) e doutor em Medicina (FMUSP, 2002). Membro fundador (São Paulo, 1992). Diretor Científico da SOBRAMFA – Sociedade Brasileira de Medicina de Família. Membro Internacional da Society of Teachers of Family Medicine (STFM).

RBM Abr 11 V 68 Especial Oncologia

Indexado LILACS LLXP: S0034-72642011007300001

Unitermos: humanização da assistência, cuidados paliativos, assistência centrada no paciente, educação médica, medicina de família e comunidade.

Unterms: humanization of assistance, palliative care, patient-centered care, education, family pratice.

 

Numeração de páginas na revista impressa: 4 à 12

A Medicina desumanizada e as tentativas de humanização

A humanização da Medicina assume notável protagonismo na agenda dos educadores na Academia e dos gestores nos diversos Sistemas de Saúde. O motivo é claro: nos dias de hoje a Medicina tem de ser forçosamente humana se quer pautar-se pela qualidade e pela excelência. Humanizar a Medicina é, assim, além de uma obrigação educacional uma condição de sucesso para o profissional de saúde.
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Hereafter – Além da Vida: Ensaios de Transcendência de Clint Eastwood

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Hereafter.  Diretor: Clint Eastwood.  Matt Damon, Cécile De France, Bryce Dallas Howard, Frankie McClaren, Jay Mohr, Richard Kind, Thierry Neuvic. 129 minutos.

     A pergunta era inevitável: “Você viu o último filme de Clint Eastwood?” Todo o mundo sabe que gosto de Clint, é um amor que vem crescendo nos últimos anos. “Sim, gostei.” E de bate pronto, sem dar chance ao diálogo, prossigo: “Ainda não sei por que, mas gostei.”. O meu interlocutor olha-me admirado e acrescenta: “Pensava que você não gostaria. Desta vez, é um pouco diferente, não?”

     Quando assisti Hereafter, e gostei, anotei a lição de casa: duas ou três cenas que me impactaram e descobrir porque tinha gostado do filme. Bastam alguns minutos, para reparar que um filme é superior, conduzido da mão de quem entende e ama o cinema. A estética te envolve, o clima te situa à vontade, sabes de imediato que ai vem um bom filme. O contrário também é verdade. Um filme ruim provoca enjoo nos primeiros cinco minutos. Mas os motivos de por que se gosta de um bom filme nem sempre são explícitos. Na verdade, a maioria do público nem se coloca a questão; gostou, e pronto. No meu caso, uma vez assumido este pacto de educar com o cinema, não há escapatória: sou obrigado e pensar. Reconheço que às vezes tenho saudades dos que vão ao cinema sem maior preocupação do que providenciar a pipoca. Talvez por isso eu ande um pouco preguiçoso ultimamente; a minha lista de pendências aumenta conforme os filmes se acumulam sobre a prateleira. Optar por ver um deles é, fatalmente, gerar trabalho. “Que exagerado – dizem alguns. Veja por diversão, relaxe”. E, sorrindo, comento com os meus botões: “Se me deixassem….”. Por que a pergunta sempre chega: “Olha, você viu aquele filme?”.  Ou ainda: “Assisti um filme no final de semana. Tenho que falar com você sobre isso”. É o imposto a pagar por atrever-se a dar opiniões e escrever por ai. Paciência.
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A minha simpatia por Alfred Hitchcock: Reflexões sobre o mago do suspense

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Por Pedro Acosta Baldin

Comecei a gostar do Hitchcock quando eu tinha uns 10 anos, foi minha primeira vez que soube que existia. Meu pai alugou um filme dele para a gente assistir, eu me apaixonei tanto pelo seu jeito de fazer filmes, pelo seu modo de envolvimento do seu público, gostei muito do seu suspense e da raiva que me deixou quando eu não descobri se o mocinho era mau ou não em Suspeita. Logo pensei: quero saber um pouco mais de sua vida e de seus outros filmes, e comecei a fazer um TCC sobre ele. Aqui vai um resumo do meu trabalho.

Alfred Hitchcock foi um cineasta anglo-americano, considerado o mestre dos filmes de suspense, sendo um dos mais conhecidos e populares realizadores de todos os tempos. O suspense de Hitchcock distinguia-se do elemento surpresa mais característico do cinema, o horror. O suspense é acentuado pelo uso de música forte e dos efeitos de luz. Nos filmes de Hitchcock, a ansiedade aumenta pouco a pouco enquanto, o personagem não sabe do perigo que ira passar ao longo do filme. São apresentados dados para o telespectador que o personagem do filme não sabe, ocasionando uma tensão no espectador em saber o que acontecerá quando o personagem venha a descobrir. Por exemplo, em Psicose, somente o espectador ver a porta se entreabrir, esperando algo acontecer enquanto o detetive sobe a escada. Esse tipo de cena é comum em vários filmes de Hitchcock.

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Salvador de Madariaga: “Bosquejo de Europa”

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Salvador de Madariaga: “Bosquejo de Europa” Ediciones Encuentro. Madrid (2010) 260 págs.

     Este Bosquejo de Europa apresenta-se escrito em espanhol, por um historiador e humanista que, mesmo vivendo longo tempo fora de Espanha e dominando fluentemente várias línguas, era espanhol até a medula. Um esboço, mas também um ensaio –muitos, na verdade- a modo de variações sobre o mesmo tema, que divertem , ilustram e educam, enquanto o autor se diverte. O exemplo dos grandes músicos nas suas variedades temáticas é a metáfora que mais se adequa a esta obra que é, na verdade, um divertimento. Salvador de Madariaga, conhecido do público brasileiro pela sua imprescindível biografia de Hernan Cortés, nos oferece aqui suas reflexões sobre os povos europeus, distintos entre si, com similaridades e oposições, que combinam maravilhosamente, para brindar-nos um mosaico repleto de cultura sobre os costumes e temperamentos que povoam o antigo continente.

     O autor compõe este esboço partindo do seu vasto conhecimento do tema, o ilustra com vivências próprias e o complementa com uma profunda cultura da historia e da geografia. Fala-nos das tensões europeias –das diferenças- e também das complementariedades, que denomina ressonâncias. Um dos traços mais atraentes da obra são as conclusões sociológicas que Madariaga tira das contraposições idiomáticas, uma espécie de antropologia da linguagem. Assim, por exemplo, comenta que os ingleses utilizam palavras de origem germânica para nomear os animais domésticos vivos – swine, ox, sheep- enquanto utilizam termos de origem francesa para referir-se à carne desses animais: pork, beef, mutton, veal. Isto é assim –afirma- porque eram os saxões o que cuidavam dos animais, enquanto os franceses conquistadores se banqueteavam com a carne.

     Suas análises são audaciosas, como quando atribui cada um dos principais elementos a um país determinado (França – Ar, Inglaterra – Terra, Espanha – fogo, Alemanha – Agua) ou quando sugere que os irlandeses são espanhóis que pegaram um bonde errado e foram para ao norte da Inglaterra. Reconhece que em muitas destas apreciações há um exagero, “porque leva um aspecto relativo até a borda do absoluto para melhor destaca-lo”. E possível concordar ou não com as opiniões do autor, mas é impossível ficar indiferente e, sobretudo, não reconhecer que saímos enriquecidos deste passeio cultural por Europa, da mão de um excelente cicerone.

     Eis um livro para ler várias vezes. A primeira –como foi o meu caso- para ter uma noção do volume de conceitos e realidades, muitos deles óbvios, nos quais nunca tinha parado para pensar e para relacioná-los entre si. Certamente haverá outras leituras, e até se pode converter num livro de consulta, principalmente antes de iniciar uma viagem à Europa. De modo especial, se a turnê consiste num desses pacotes “fast food” das agências de turismo, onde se visita muita coisa, não se presta atenção no que é relevante, e volta-se cansado e carregado de fotos que logo caem no esquecimento. Nestes casos, o livro de Madariaga funcionará como um despertador para estar atento às riquezas que uma viagem comporta, preparando o espírito para adentrar-se nas civilizações alheias. E, sem dúvida, ler no regresso, será um ótimo recurso para incorporar perspectivas e visões da vida e dos povos. Um verdadeiro catalisador de cultura que é, afinal, construir uma opinião e saber situar-se no mundo.

     De fato para fazer estas variações sobre o mesmo tema, é preciso amplo domínio do terreno. Sejam os prelúdios e fugas de Bach, embasadas em cada semitom da escala ou as considerações sobre o mosaico europeu de modo lógico e atraente. Para compor um divertimento é preciso mesmo ser um virtuoso. Somente por essa razão, vale a pena ler esta obra.

Ian Ker: John Henry Newman. Una Biografía.

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Ian Ker: John Henry Newman. Una Biografía. Palabra. (2010). 793 págs.

     A primeira advertência que é preciso fazer é de que estamos diante de um livro de difícil leitura. Talvez porque não é propriamente uma biografia, mas um perfil biográfico, o que não quer dizer que seja superficial; aliás, é tudo o contrário. O autor conhece a vida e obras de Newman de modo admirável, interpreta o sentir da personagem que afirmava que “a vida de um homem está nas suas cartas” (pg. 740) e monta um verdadeiro puzzle biográfico, traçado com trechos das 20 mil cartas que se conservam de Newman. O resultado é uma exuberante coleção de dados onde se misturam a ciência teológica, as dúvidas, as crises, o amor a Deus, a vontade de reformar a Igreja anglicana, além do amor incondicional pela Inglaterra, elementos presentes na alma de John Henry Newman. Fica difícil saber qual é o fio condutor, a cronologia desta vida, porque o livro nos leva direto às interioridades, ao pensamento, à consciência de Newman, sendo o exterior mero detalhe. As arvores –verdadeira floresta de informação- não deixam ver o bosque.

     Não é um livro para qualquer um; na verdade é um livro para poucos, certamente para os que conhecem bem a vida de Newman. A quem se aventure por primeira vez no estudo deste personagem admirável, recomenda-se que leia antes outra biografia, ou mesmo a Apologia Pro Vita Sua, que resulta um bom guia biográfico para enfrentar o livro que nos ocupa. Essa foi a minha experiência e a minha preparação prévia, e mesmo assim tive de investir alguns meses na leitura da obra, espaçando-a, deixando repousar o aprendido, lendo em diagonal alguns trechos onde o autor aglutina dados e personagens em profusão, como se tudo fosse familiar ao leitor e não fossem necessárias as apresentações. Um texto do próprio Newman serve de crítica construtiva ao estilo do autor, além de ser um importante conselho para quem pretende aumentar a cultura: “O que engrandece nosso conhecimento não é simplesmente aumenta-lo, mas mudar de lugar, um movimento para adiante, para o centro moral, em direção ao qual gravita todo o volume do nosso conhecimento. Um modo de pensar filosófico, a sabedoria na conduta ou na política, implica uma vinculação do novo com o velho, um penetrar na relevância e na influência de umas partes com as outras. Não é um conhecimento apenas de coisas, mas de relação mútuas; um conhecimento organizado e vivo.” (pg. 280).
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Bravura Indômita: As Saudades (que todos temos) de um bom Faroeste.

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(True Grit, 2010 )- Diretor: Ethan Coen, Joel Coen. Jeff Bridges, Matt Damon, Hallie Steinfled, Josh Brolin, Barry Pepper. 110 min.
(True Grit, 1969)- Diretor: Henry Hathaway. John Wayne, Kim Darby, Glen Campbell. 128 min.

     O filme dos irmãos Coen saiu de mãos abanando na festa do Oscar. Eles reclamaram, e não pela ausência de premio, mas pelo excesso de propaganda. Na verdade, estava ficando molesto abrir os sites de consulta de filmes –IMBD por colocar o exemplo mais relevante- e deparar-se com a insistente cavalgada de Jeff Bridges, uma arma em cada mão, e as rédeas do cavalo presas nos dentes (nos dentes do Jeff, entende-se). Até parecia que não havia outros filmes à altura, concorrendo para o Oscar. Bravura Indômita monopolizava os chamados das páginas virtuais. Incomodou-me toda essa parafernália, barulho demais.

     As críticas também rodearam o filme de comentários elogiosos. “Não é nenhum pecado fazer uma refilmagem. O cinema está repleto de remakes notáveis. Os irmãos Coen dizem que sim, que assistiram a versão dos anos 60 com John Wayne, mas que o filme deles é uma leitura própria da historia escrita por Charles Portis. E até sugerem que, talvez, os filhos deles se aventurem a fazer um novo remake.” Fui checar a idade do crítico de cinema: não chegava aos 50 anos.

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Donald Finkel: “Dar clase con la boca cerrada”

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Donald Finkel: “Dar clase con la boca cerrada” (Teaching with Your Mouth Shut). Servicio de Publicaciones de la Universidad de Valencia. Valencia (2008). 292 págs.

(Obra original em Inglês, tem uma boa tradução ao espanhol, que foi a versão consultada)

 

     Não é mais um livro sobre metodologia de ensino, e novas técnicas docentes, essa variante de livros que se poderiam qualificar de “autoajuda profissional”, no caso, para os profissionais da educação. Ensinar é fomentar o aprendizado; é estimular e facilitar os estudantes para que se comprometam com um processo construtivo do qual eles são os verdadeiros protagonistas. E neste sentido, mais do que um livro para professores é um livro para que o professor entenda o papel do estudante no processo educativo, o que significa, em consequência, reduzir seu papel de professor a um discreto lugar de coadjuvante. Como o autor adverte no prefácio, esta obra é para qualquer um que tenha interesse na educação, mas não é um manual para professores; sua intenção é produzir uma reflexão acerca das variadas maneiras com que é possível ensinar, uma conversa entre os leitores que tenham algo a dizer sobre educação.

     O presente livro não advoga por um método educativo como superior ao outro, mas sugere que tudo se deve combinar, de acordo com as circunstâncias e possibilidades. Aqui está talvez o melhor recado da obra: uma ocasião de refletir sobre os próprios métodos de ensino, e avaliar a possibilidade de incorporar novos elementos que enriqueçam a atividade docente. Dar aula com a boca fechada é um modo de dizer que o professor não vai realizar o trabalho que o estudante deve fazer por si mesmo. Há muitas maneiras de que os estudantes percebam que devem assumir por si mesmos o compromisso de aprender, com responsabilidade consciente.

     Oferecemos a seguir um breve resumo das ideias principais dos diversos capítulos; resumo este que não dispensa em absoluto a leitura desta importante obra. Mais do que os conceitos, o importante é o processo e as reflexões que a leitura pausada provoca.

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Giacomo Rizzolatti & Corrado Sinigaglia: “Las neuronas espejo. Los mecanismos de la empatía emocional”

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Giacomo Rizzolatti & Corrado Sinigaglia: “Las neuronas espejo. Los mecanismos de la empatía emocional” Paidós, Barcelona, 2006. 216 pgs.

     Sem dúvida, o sugestivo título, ou melhor, subtítulo –bases da empatia emocional- fará com que muitos se aventurem na leitura desta obra. Foi o meu caso. Deve se advertir que os primeiros capítulos são de difícil leitura –mesmo para os que somos médicos- porque descrevem bases neurofisiológicas que o autor considera necessárias para adentrar-se, posteriormente, em temas que tem uma relevância maior no comportamento humano e no relacionamento interpessoal. Uma leitura rápida, em diagonal, dos primeiros capítulos pode ser suficiente para entender o recado que o autor da nos dois capítulos finais, que são os de maior interesse geral.

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O Discurso do Rei: O Bom Gosto feito Cinema

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The King’s Speech. Diretor: Tom Hooper. Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter, Guy Pearce, Timothy Spall. 118 min.

     Estamos às portas do Oscar. Rascunho estas linhas no contrarrelógio para antecipar-me ao desfile do tapete vermelho. Não porque queira arriscar nenhum palpite, pois afinal o meu voto –que ninguém leva em consideração na academia de Hollywood- já está concedido. Eu também não ligo grande coisa para a academia, de modo que estamos quites. A motivação que me induz a escrever é outra, ou melhor, várias.

     A primeira é -como tantas vezes fiz notar nos meus comentários cinematográficos- de índole familiar. Encontrei com um dos meus irmãos no começo de Janeiro. O Discurso do Rei estreou na Europa um mês antes do que no Brasil. “É do melhor que vi nos últimos anos”. Foram suas palavras, sem maiores explicações. Nem descrição de cenas, nem de diálogos, nem do desempenho dos atores. Talvez por isto, a frase me impactou. No âmbito familiar, condecorar um filme como definitivo –’o melhor dos últimos tempos’ é uma frase muito forte- sempre impôs respeito. E o gesto com que ele pronunciou a sentença, assemelhava-se ao do meu pai quando falava de Casablanca, ou minha mãe lembrando A Felicidade não se compra; ou mesmo o meu avô, quando discorria sobre Gary Cooper ou Betty Davis. Não adiantava perguntar por quê. O jeito era ver o filme e tirar as próprias consequências. E foi isso que fiz, numa sessão particular, com alguns amigos. Até agora não sei o que mais me marcou: se o filme, as reações de satisfação que pude observar nos que me acompanhavam, ou um maravilhoso bom sabor de boca que perdurou até a segunda vez que o vi, já no Brasil.

     Esta segunda sessão foi no ambiente profissional, inserida no projeto Cultura para Todos, inaugurando uma série de encontros que conviemos em denominar: Grandes Momentos do Cinema. Pude então degustar as cenas com tranquilidade, apreciá-las sem pressa, ponderar os detalhes; os mesmos que buscamos numa obra de arte que, de cara, nos agrada imensamente. A arte nos compraz, não sabemos por quê; e, imbuídos desse clima de bem estar, vamos desentocar os motivos desse efeito confortante, para o corpo e para o espirito. Com o cinema acontece o mesmo. E garimpando detalhes e motivos, decidi recompilar minhas impressões, às pressas, para chegar antes do Oscar e não deixar que as notícias das premiações, que nos cercarão na próxima semana, embacem esse amor à primeira vista –coup de foudre, raio fulminante- que provocou este filme magnífico.

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